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RESTAURADOR DE SONS: A ALEGRIA DOS AUDIÓFILOS

Matéria publicada na Folha de Tarde de 23/06/2000

Restaurador faz alegria de audiófilo, com equipamentos de alta-tecnologia, Fulvio Del Picchia transforma matrizes antigas em CD.

 

Por MARINA PAULIQUEVIS

Tudo começou como um hobby. O colecionador Fulvio Del Picchia, de 48 anos, queria ouvir as músicas de seus antigos discos de vinil sem ruídos e chiados, então começou a pesquisar a melhor forma para resolver o problema.

Fã de equipamentos eletrônicos e música, Del Picchia usou sua habilidade em informática e se especializou na recuperação e remasterização de discos de vinil, de todos os tamanhos; fitas cassetes e qualquer outra fonte de áudio, até discos de acetato.

Há dois anos, o que era apenas uma distração virou trabalho sério. Depois que os amigos descobriram o talento de Del Picchia, os LPs da sua coleção particular acabaram num segundo plano. "Para cada seis ou sete discos que remasterizo, só um é meu", diz. Para atender os pedidos, ele abriu uma empresa, a Flancer.

O trabalho é demorado, apesar de feito quase totalmente por computadores equipados com os mais modernos softwares. Cada LP, que tem em média 35 minutos, dos dois lados, demora cerca de oito horas para ser remasterizado e transformado em CD.

O primeiro passo é limpar o disco com produtos específicos em um equipamento à vácuo. Depois, as músicas são gravadas no computador e cada faixa passa pela limpeza digital e pela fase de equalização. Se for necessário, Del Picchia atravessa a madrugada para finalizar um disco. "Não me importo nem de ficar sem almoço."

Ele diz que estragou vários discos durante as experiências que fez para encontrar os melhores produtos para limpeza. "Colocava os LPs até dentro do microondas para ver se dava certo." Agora, garante que o material que recebe sai de sua casa em perfeito estado. Na verdade, até melhor do que quando chegou.

Del Picchia calcula que nos últimos três anos recuperou cerca de 600 discos, incluindo os de sua coleção. Esses, depois de remasterizados, acabam numa estante e raramente voltam a ser ouvidos. Para evitar possíveis danos ao vinil, o colecionador só ouve o CD. De qualquer modo, a antiga e valiosa coleção não é desfeita. "Mesmo com os CDs remasterizados não vou jogar fora os LPs que guardo, como os dos Beatles", afirma.

Emoção - Os primeiros álbuns que ele remasterizou foram os que marcaram sua juventude; depois vieram as raridades que começaram a enriquecer sua coleção nas décadas de 60 e 70, como o LP com um show de Frank Sinatra, inédito em CD, e um disco da banda canadense de rock Grey Ghost. "Esse álbum nem mesmo no Canadá deve ter", acredita.

Não é raro que os clientes da Flancer levem matrizes de valor emocional para serem recuperados. "O dono de uma fita cassete que remasterizei chegou a chorar quando ouviu o CD com as músicas antigas", diz. Em outro caso, o trabalho foi feito com um disco de acetato gravado na década de 40, em que o pai do autor do pedido tocava.

Del Picchia lembra que a Flancer não faz cópias dos álbuns que remasteriza.

"Só entrego o CD para o cliente que me trouxer o disco original", afirma.

"Meu trabalho não é de pirataria."

 

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