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COLECIONAR: MANIA OU ARTE ?

O ser humano tem o hábito milenar de juntar coisas que estão ou estiveram intimamente ligadas ao seu dia-a-dia. Parece, essa prática, um sinal do apego a tal ou qual objeto e também ao aparato visual de que ele se reveste, além, é claro, de representar esse comportamento nos dias de hoje, um modo mercantil de encarar as coisas, à medida que em somas incalculáveis são despendidas na comercialização de peças colecionáveis.

Sabe-se, também, que, freqüentemente, tal prática é regida pela necessidade de resguardar, de preservar mesmo, o valor "intrínseco" dos objetos colecionáveis. Foi, aliás, em conseqüência desse hábito que surgiram os museus, as bibliotecas e os arquivos que, hoje, mais do que nunca, são uma necessidade básica para o desenvolvimento das nações e dos países e, em ponto menor, de cidades e comunidades "fechadas", como religiões, seitas, etc.

Certos objetos preservados ou "colecionados" servem, no mais das vezes, para caracterizar uma cultura passada, retratar um modo de vida, ou para pura satisfação pessoal.

Casos bem curiosos, que dignificam o hábito de colecionar: um exemplo está no processo de identificação da famosa estátua conhecida como "Vitória Alada" ou "Vitória de Samotrácia", que somente teve o mistério de sua origem desvendado graças a uma moeda, o tatradracma de Demétrio, da Macedônia, que o fizera copiar em seu anverso a imagem. Hoje, podemos apreciá-la no Louvre, em Paris.

Quanto ao colecionismo propriamente dito, febre que pode atingir a todos, em qualquer idade e lugar, não é possível precisar quanto teve o seu início, mas o certo é que desde a Idade Média dele há vestígios, pois em relação à moeda - em lingote ou disco metálico - (e que se supõe "nascida" na Lídi, Ásia Menor, ou mesmo em Égina, na Grécia, no século VII a. C., e cuja criação se atribui ao Rei Giges, da Lídia, ou Rei Fidão, de Argos) o certo é que o famoso poeta Francesco Petrarca (1304-1374) teria sido o primeiro a despertar para a Numismática, pois em 1385 ele faz surgir o primeiro tratado sobre o tema: Tractarus de Origine Monetarium de Oresmius.

No entanto, será com a Filatelia - o chamado rei dos hobbies - que terá início essa tradicionalíssima forma de colecionismo e Sir Rowland Hill em 1840, ao pretender a reforma postal e introduzir o uso do selo, como é conhecido hoje, com o famoso "Penny Balça" na Inglaterra, não poderia nunca imaginar que estava ali o grande impulsionador desse comportamento.

Assim ambos, moeda e selo, são, sem dúvida, as mais universalizadas formas de coleção.

O universo do colecionador é diretamente proporcional ao que o cerca - há a possibilidade de colecionar tudo e, para isso, existem clubes, com formalização de sócios, emissão de catálogos, leilões a toda sorte de atrativos para aglutinar pessoas com o mesmo hobby. São colecionáveis, cartões-postais, canetas, xícaras, relógios, caixa de fósforos, soldadinhos de chumbo, bonecas, trenzinhos elétricos, revistas, utensílios de cozinha, licoreiras, vidros assinados, etc.

O colecionador sabe bem que uma peça desprovida de interesse e valor poderá, em curto espaço de tempo, atingir a cotação de mercado em cifras incalculáveis, o que, por si só, já é excitante.

Fonte: Revista Consulex - Celso Bubeneck

 

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Atualizado em 06/07/02
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